sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Aix en Provence: paixão à primeira vista

Quanto mais viajava pela França, mais gostava e achava estranho o por quê que as pessoas achavam os franceses grossos. Mais tarde viria a ver que se trata dos parisienses e não do povo todo!
Aix en Provence foi paixão à primeira vista! Foi muito rápido, mas muito intenso. Passamos só uma noite e uma manhã, mas foi o suficiente para deixar com um gostinho de quero mais!
Me lembro que fiquei encantada com a charmosa iluminação das ruas, como é gostoso conhecer uma cidade à noite e com uma temperatura agradável! Fora o fato de não ter segurança nas ruas e não sentir medo de andar livremente! Uau!
Jantamos num lugar barato, isso é, 5 euros por um prato de comida! Podíamos escolher o tipo de massa e de molho. Caminhamos na frente de uma igreja que estava tendo um conserto e entramos. Eu não podia acreditar naquela cena: eu sentada na igreja, sábado à noite, o que está acontecendo comigo, meu deus!!!
No dia seguinte, fomos ao Museu do Cézanne, um pintor pós-impressionista de lá, cujas obras acho muito bonitas. Achei lindo o lugar e as pinturas.
Bem, do pouco tempo que fiquei na França fiquei com a sensação de que poderia conhecer toda ela e que iria adorar, pois tudo é muito lindo! Paris estava no meu roteiro daqui a algumas semanas e aí sim poderia conhecer de perto a famosa cidade e a fama dos franceses!


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Avignon: uma ótima surpresa

Até aquela viagem, nunca tinha ouvido falar sobre Avignon. Depois que cheguei é que fui saber um pouco mais.
Avignon é uma cidade conhecida por ter sido por muitos anos a residência dos papas. Seu Palácio dos Papas é enorme, incrível. A cidade é cortada por um rio, o que viria a perceber nas próximas viagens que adoro ver nas cidades europeias. Ficamos em um hostel e pela primeira vez percebi como que é importante a companhia para viajar, ou seja, é preciso ter interesses em comum e ritmos parecidos, se não, cada um quer ir para um lado e não se vê nada! Os primeiros desentendimentos aconteceram ali, entre nós, mas conseguimos contornar e seguir a viagem tranquilamente, 
Não gosto de turismo religioso, mas não pude deixar de apreciar a arquitetura e sua magnitude. A partir daquela viagem comecei a perceber a energia que tem nas igrejas e tentar entender o por quê que as pessoas buscam tais lugares para encontrarem a sua paz. Como estudei história e sou bem cética, não consigo acreditar na Igreja como instituição, mas respeito.
Adorei passear pelas suas ruas estreitas, casas charmosas e natureza colorida. Me lembrei muito do meu ex, pois ele teve uma forte relação com a igreja. Tudo me parecia tão intenso e não conseguia entender como é que ele pôde um dia fazer parte daquele mundo...
A cidade me surpreendeu e saí de lá curiosa para ver como seria a terra de Cèzzane, Aix in Provence!











quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Marselha, muito prazer!

A minha primeira viagem de low cost não foi das melhores. Saímos em cima da hora, tivemos que correr naquele imenso aeroporto de Barajas, tive que jogar fora meu canivete, não tinha nada pra comer no voo, enfim, várias novas experiências. Mas, apesar de tudo, a viagem foi rápida e tranquila! Pousamos em Marselha, a cidade mais antiga francesa e fomos de ônibus para o centro. Enquanto via aquela paisagem agreste, ouvia a minha seleção de músicas que me remetia ao amor que não tinha dado certo, às lembranças e memórias ainda muito recentes e dolorosas. "Dont get me wrong" estava presente diariamente. Éramos três mulheres viajando, cada um com seus pensamentos e mp3. 
No começo, achei muito estranha Marselha com seus moradores africanos vendedores de bolsas italianas e ruas vazias. Mais tarde, ao nos aproximarmos do mar, pude apreciar a beleza incrível de seu cais e suas centenas de veleiros. Passeamos de bicicleta, caminhamos e nos divertimos num belo pôr do sol. Me chamou a atenção a lindíssima igreja Notre-Dame de La Garde.
Tive uma experiência única que me marcou bastante, passamos uma noite num centro budista! Pagamos uma simbólica contribuição e tivemos uma noite tranquila de sono!
Marselha foi mais uma cidade de passagem que qualquer outra coisa. Me lembro que algo me marcou em relação ao lugar e Napoleão. Ao procurar, encontrei que o hino francês "La Marseillase" foi feito primeiramente como uma canção, em 1792, durante a Revolução Francesa e recebeu grande popularidade entre tropas de Marselha, daí seu nome. E quando Napoleão subiu ao poder, baniu a Marselhesa por possuir um caráter revolucionário. Interessante.
O tempo era curto, chegou a hora de partir para Avignon!









segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Madri: una cidad muy especial!

Ao pegar a minha bagagem e o metrô me vi cercada de pessoas de todos os cantos do mundo, falando línguas que eu nem imaginava que existiam, com caras e raças das mais diversas e imediatamente pensei: — poderia morar aqui. Aquele ar cosmopolita do metrô me encantou e a segurança, já naquele primeiro contato com Madri, me deixou tranquila e contente. Pensei: — sim, um outro mundo é possível. Saí do Brasil extremamente descontente e com a sensação de que o que vivemos lá é algo que não é normal, o medo de sair na rua, de assaltos, etc. Pois ali estava a prova que era possível viver de outra maneira.
O primeiro aprendizado que tive na viagem foi  ver que é preciso escrever os dados com letra legível e completos quando se viaja! Isso porque ao chegar na parada de metrô, da casa da minha amiga, fui ver o endereço e não conseguia entender direito a minha letra (quem me conhece sabe que quando escrevo só eu entendo e olhe lá!)! Pensei em ligar para a minha mãe, mas era madrugada no Brasil e precisava me virar! Depois de dar várias voltas na quadra, perceber que todas as ruelas tinham o mesmo nome e de perguntar para algumas pessoas, consegui finalmente encontrar o edifício da minha amiga. Aleluia!
Nada melhor que ver um rosto conhecido, sentar no sofá e relaxar após momentos de tensão. Pois foi isso que fiz ao trocar as primeiras experiências com a C. e botar o assunto em dia antes de ela sair. A C. era uma amiga minha que vivia em Poa também e tinha vindo fazer um mestrado em Madri. Ela dividia o apê com uma boliviana e um argentino. Perfeito! Tudo o que eu queria era botar o meu espanhol em dia e conhecer pessoas novas! O primeiro contato foi assustador, pois não entendi quase nada com a rapidez que eles falavam e a diferença de sotaque que estava acostumada. Após um tempo, tudo se normalizou e me comuniquei felizmente!
Foi muito interessante notar as diferentes formas dos sul americanos, temos algo em comum que nos liga, algo leve. Ao observar os espanhois nas ruas e no metrô percebi que eles são agressivos ao se defenderem um do outro. Há algo muito forte entre o espanhol e o não espanhol. Sinto o espanhol como uma língua conhecida, mas de uma forma mais bruta.
Os dias que passei em Madri foram muito legais e aprendi bastante com os diferentes modos de vida daquelas pessoas que me rodeavam. Todos estavam ali com o mesmo propósito: estudar, mas os seus pensamentos e personalidades eram tão diferentes que era difícil acreditar como podiam dividir o mesmo espaço! Por sorte, era um apê de 3 quartos e cada um dia seu canto.
Achei a cidade linda, suas ruas, arquitetura, a riqueza das construções, a amplidão e o estreitamento das ruelas medievais! Em alguns momentos vi cenas de filme onde aparecem uma praça, uma fonte, uma quadra coberta de prédios antigos. Me sentia num filme de Almodóvar. Ao mesmo tempo que estava extasiada com tudo que via não conseguia parar de pensar que toda aquela riqueza era fruto da exploração da América Latina. É todo um patrimônio histórico a olhos nus que é mantido por uma cidade agitada pelo trânsito de carros e os espanhois charmosos que circulam pela cidade durante a siesta.  É muita injustiça, milhares de vidas indígenas para construir aquele império que foi um dos maiores do mundo. E eu estava ali dando o meu dinheiro para aquele país ao invés de conhecer a América Latina, seus países tão lindos, diversos, desiguais e inseguros.
Das minhas aventuras gastronômicas o que me marcou foram os famosos churros com chocolate quente, que na minha opinião não tem quase nada a ver com os nossos deliciosos recheados de doce de leite (ou de Mumu, como chamamos no RS!), pois nem são recheados! O próprio chocolate quente era extremamente cremoso e é mais fácil de comer com colher que beber! Enfim, costumes diferentes.
Achei algumas lojas muito baratas e até alguns restaurantes, tipo na época se conseguia por 10 euros entrada, prato principal e sobremesa! É claro que com o orçamento de mochileira, só pude comer pouquíssimo fora e, na maioria das vezes, era sanduíche para não gastar muito.
Tive o prazer de ir ao Museu Prado que me encantou! Me lembrei muito do meu pai ao ver as pinturas do Goya. Consegui entrar de graça, pois se não me engano, sempre um dia do mês é gratuito ou algo assim.
Bem, daqueles poucos dias que passamos juntas e que conheci Madri aproveitamos os maravilhosos lowcosts (voos baratíssimos que tem por vários lugares na Europa) e fomos para Marselha!!!
Bon voyage!






P.S Ao rever as fotos me lembro do encatamento que foi ver as belas cores do outono por todas a partes! 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Viagem pela Europa: o começo de tudo

Vasculhando os meus mapas da minha viagem pela Europa me veio uma porção de sentimentos e sensações que vivenciei que me deu vontade de escrever sobre eles. Vou aproveitar a inspiração e compartilhar um pouco da minha viagem pelos países que viajei! Será um formato diferente do que escrevo aqui no blog, portanto, não estranhem!


Diário da minha Primeira viagem à Europa

Quando vim para a Europa a primeira vez foi em novembro de 2007. Tinha 23 anos, acabado um relacionamento de quase um ano, me formado na faculdade, procurado emprego e não encontrado, ou seja, estava no fim de uma etapa da minha vida, mas não tinha ideia o que me aguardava. A expectativa era a mínima, tinha a sensação de estar indo para Europa como quem vai para Anta Gorda (uma cidade no sul do Brasil que acho muito engraçado o nome!). A ideia era sair, buscar novos ares, fazer um mochilão, esquecer daquele sofrimento que estava passando e visitar o meu irmão que na época estava morando em Dublin.
O roteiro? Era o seguinte: Poa-Madri, Espanha, Itália, Holanda, Inglaterra, Irlanda, França, Espanha, Portugal, Espanha. República Checa, Alemanha e o retorno por Madri. O tempo de viagem? Quase dois meses e meio, sendo que minha mãe viria ao meu encontro após um mês e meio. 
Tudo foi muito estranho. Tinha um mochilão de 13 quilos e nos próximos dois meses carregaria o que precisava nas minhas costas e iria conhecer um mundo que tinha lido nos livros. Me despedi dos meus pais sem saber quando os veria, pois já passava pela minha cabeça a ideia de ficar em algum lugar fazendo um mestrado ou trabalhando. Por sorte encontrei uma conhecida no voo Poa-Buenos Aires e tudo foi bem tranquilo. Foi só quando me vi no aeroporto de Buenos Aires sozinha, precisando trocar os euros por dólares, calculando quanto que era necessário para comer e cuidar para fazer o embarque na hora certa que percebi que estava numa jornada e que não tinha com quem contar a não ser eu mesma.
O voo foi cansativo, sentei perto de muitas senhoras espanholas que falavam alto e que conversaram todo o tempo. Tive dificuldade de colocar o cinto de segurança, mas dali em diante se tornaria um hábito frequente e simplório. 
Ao sobrevoar Madri, de madrugada, fiquei impressionada com as cores das luzes da cidade à noite, seu tamanho e sua dimensão. Liguei o rádio pensando: — a música que ouvir agora será o tema da minha viagem. Para minha surpresa tocou It must have been love, do Roxete. Muito simbólico! Lágrimas caíram enquanto o avião pousava. A minha vida estava por mudar e eu não sabia. Era hora de descer.